
Não vou comentar, sonhar e nem chorar
(porque tudo que há aqui é sonante)
E caridoso com meu ser, nessa apoteose;
Talvez agora deva apenas relatar dias,
Horas e algumas frações de tempo
(tempestades me esperam), és vida.
Hoje eu acordei mais velho, mais manco,
Fui querer vagar pelas calçadas com amor
Com uma caneta e o sincero gosto de café;
Acabei morrendo nas pedras, ferido por doces
Que as crianças armadas soltam na praia;
(os soldados engolem todo sal de mim)
Dias que a orla espera o gosto de lagrima,
(Não, eu não quero degustar a maresia),
Tenho uma vida, guardada num pote
No meu quarto esperando por amor.
Com a calmaria de poesia me enterro
Nas begônias que colho do meu paletó;
(Eu nunca esqueço o que sai de mim).
As fezes mundanas encobrem o afeto
E os fuzis depravam meu coração
Mesmo aqui, nesse banco, nessa singular
Nesses substantivos abstratos e incoerentes
Que surgem quando tento escrever do mundo;
Porque tudo que defendo, que amamento
Vai sumindo vagarosamente em meio as guerras.
26 de agosto de 2008, Gabriel C.














